A História do O Jornal de Batatais

Quando Jácomo Campi e Jesus Brasílio Tambellini resolveram fundar ‘O Jornal’, em1937, Batatais tinha mais ou menos 19 mil habitantes (Censo de 1940: 20.070), o Estado de São Paulo 6.981.740, o Brasil 43.266.931, além de uma razoável dívida externa, calculada em 8.476.547 libras inglesas. Não havia sido sintetizado o DDT (Paul Muller -1939), nem se inventado o polietileno (1939) ou construído o primeiro helicóptero (1939- Igor Sikorski). Mas em 1937 a ‘Nestlé’ da Suiça lançava o Nescafé e Frank Whittle, na Inglaterra, inventava a turbina. A Rússia comemorava, 20 anos da tomada do poder pelos bolcheviques. Na literatura sobressaíam-se Carlos Drummond de Andrade, Manoel Bandeira, Jorge de Lima, José Lins do Rego, Érico Veríssimo, Vinícius de Moraes e Otávio de Faria. O samba evoluía para o samba-canção, permanecendo a valsa, o choro e a marchinha, procurando satirizar os acontecimentos da época. Os compositores Noel Rosa, Ary Barroso, Lamartine Babo, Sílvio Caldas, Carlos Galhardo, Dircinha e Linda Batista, Orlando Silva, Carmem Miranda, Alzirinha Camargo, Araci de Almeida, e Mário Reis eletrizavam o público. O ‘speaker’ (locutor) era a alma das estações de rádio e entre estes figuravam Carlos Frias, Gastão do Rego Monteiro, César Ladeira e Saint-Clair Lopes. A Rádio Recorde, PRG-2, havia sido fundada em São Paulo por Assis Chateaubriand em 3 de setembro de 1937. O escritor francês Roger Martin du Gard ganhara o Prêmio Nobel de Literatura e os vencedores do Oscar foram: melhor filme, Emile Zola; melhor ator, Spencer Tracy (Marujo intrépido) melhor atriz, Luise Rainer (Terra dos Deuses); melhor diretor, Leo Mc Carey (Cupido é um moleque teimoso), e o Cine Para-Todos anunciava no primeiro número de ‘O Jornal’ o filme ‘Pilhérias da Vida’, com J. Brown para o dia 26.

Em 1937, o campeão paulista de futebol foi o Corinthians e o carioca o Fluminense. O Brasil vivia sob a ditadura de Getúlio Vargas (1930 a 1945) que nomeava os interventores dos Estados (o de São Paulo era José Joaquim Cardoso de Melo Neto). Poucos dias depois (10-11-1937) Getúlio dissolve o Congresso com tropas militares, cancelando as eleições de 1938, implantando o Estado Novo com a outorga de uma nova Constituição, a chamada ‘Polaca’, de inspiração fascista e escrita por Francisco Campos.

O prefeito de Batatais era José Arantes Junqueira, o de São Paulo Fábio Prado, o papa era Pio XI (Achille Ratti), o Juiz Virgílio Argento e o pároco da cidade o Monsenhor Joaquim Alves. O primeiro número de ‘O Jornal’, com 4 páginas, veio à luz no dia 26 de outubro de 1937, numa terça-feira. No Editorial de apresentação, havia a clara mensagem que desejava pelejar de ânimo sereno e resoluto, pelo progresso do município e pelo bem-estar do seu povo.

Daquele dia até hoje existe uma distância que medida pelo tempo soma 80 anos. Gerações se sucederam, e nem todos os sonhos de Batatais foram possíveis, mas ‘O Jornal’ manteve-se impávido, como um observador e difusor da história. São quase 4.000 edições semanais, que já consumiram bem mais de 1.000 toneladas de papel, sobre o qual já foram escritas mais de 100 mil páginas, em mais de 30 milhões de linhas.

‘O Jornal’ foi o sonho que ficou, e como numa corrida de bastão, foi passando por mãos idealistas que dele fizeram instrumento de veiculação dos principais fatos da cidade, que hoje já são também reminiscências de sua história. Apesar da importância fundamental do tempo, a substância de um sonho reside essencialmente no futuro, e é por isso que ‘O Jornal’ vem se equipando com os mais modernos recursos de editoração e impressão da região, para continuar sendo sempre um pouco da alma de Batatais. Os Diretores e Proprietários

*26/10/1937 a 4/01/1938

Jesus Brasílio Tambellini e Jácomo Campi

*05/01/1938 a 25/02/1943

Jesus Brasílio Tambellini e José Teixeira de Andrade

*26/02/1943 a 10/09/1947

José Teixeira de Andrade

*11/09/1947 a 11/01/1953

Oswaldo Guérner Gonzalez

*12/01/1953 a 18/01/1959

Jorge Nazar e Roberto Dalton Nazar

*19/01/1959 a 1/09/1968

Germinal Feijó e Francisco Lucchesi

*02/09/1968 a 16/03/1984

Francisco Lucchesi

*17/03/1984 a 5/01/1985

Orion Francisco Marques Riul e José Lopes Bueno

*06/01/1985 a 13/07/2007

Orion Francisco Marques Riul e Teresa Cristina Alliprandini Riul

*14/07/2007

Teresa Cristina Alliprandini Riul e Orion Francisco Marques Riul Júnior

Por tanto tempo, e de tantas linhas pode se garimpar verdadeiras pérolas da história da nossa

cidade.

‘O Jornal de Batatais’ já estampou matérias e cartas escritas por presidentes, como Washington Luiz e Jânio Quadros, governadores como Adhemar de Barros, e até do conselheiro de Getúlio, Fellinto Muler.

Personalidades locais o Monsenhor Joaquim Alves, José Arantes Junqueira, Paulo de Lima Corrêa, e mais recentes como Jorge Nazar, Alberto Gaspar Gomes, Padre Jarussi, entre tantos também usaram suas páginas para fazer chegar até a opinião pública local, suas aspirações.

‘ANIVERSÁRIOS’

A coluna ‘Social’ era escrita por Cícero Ribeiro Negrão que, no 1º jornal, anunciava estes aniversários, em outubro de 1937:

Dia 23: Major Antônio Cândido.

Dia 24: Walter Barreto da Costa, prefeito de Brodowski.

Dia 25: Maria Esther Campi, esposa de Jácomo Campi.

Dia 26: Maria Benedinni, filha de Attilio Benedinni.

Dia 27: José Arantes, filho de José Aranques Junqueira;

Luzia Tomines Rizzato, esposa de Heitor Rizzato.

Dia 28: Angelina Rigotto, esposa de Rômulo Rigotto.

Dia 29: Monsenhor Joaquim Alves; e Sebastiana

Ferreira, filha de Camillo C. Ferreira.

‘NOIVADOS’

De. Alzira Acra, com Mozart Tristão de Almeida.

De Maria de Lourdes Castro Nogueira com Ézio Girardi,

Cirurgião dentista.

‘NASCIMENTOS’

O primeiro nascimento anunciado foi o de Theophanes

Teixeira de Andrade, filho do Prof. José Teixeira de Andrade e dona Maria de Lourdes Paschoal.

‘FALECIMENTO’

A primeira nota anunciava o falecimento da senhora

Primazia Pereira, que deixava viúvo o dentista Leonino

Pereira além dos filhos Moacyr, Iracy e Zilda.

‘CLASSIFICADOS’

“Aluga-se uma boa casa sita à Rua Mal. Deodoro, 3, ponto óptimo para negócio. Tratar com Francisco Martini”

‘CASAMENTO’

O primeiro edital de casamento, mandado publicar pelo oficial de Registro Civil, Augusto Roncaratti, foi de Floriano Pinto Nazario e Jupyra Nobre.

‘COBRADOR’

O primeiro cobrador, autorizado a receber assinaturas de 1938 foi Custódio de Andrade Junqueira.

‘CLICHÊS’

O primeiro clichê estampado em ‘O Jornal’ foi da Cia. Melhoramentos de Batatais (Força e Luz). Já o primeiro cliché de foto apareceu quando da visita de Adhemar de Barros, em 7 de agosto de 38. O segundo cliché foi do violinista Raul Laranjeira que fez um recital na Sociedade Recreativa 14 de Março, em 11 de outubro de 1938.

‘COLABORADORES’

Durante o primeiro ano de sua existência ‘O Jornal’ teve os seguintes colaboradores: Dirceu Feliciano, Roberto de Oliveira Campos, José Jorge Lunes Abeid, Fernando Guilherme, Rubens de Almeida, Guilherme Tambellini, Simplório Paz, Sylvio Malta Sobrinho, Juvenal Soares, Gregório-Bons-Bocados, Araújo Jorge, Miguel Daniel, Juliano Mauro, Raphael Cruz, Germiniano e João Gaspar Gomes.

‘O CENTENÁRIO’

No dia 14 de março de 1939, quando Batatais comemorou seu centenário, dois semanários de Batatais, ‘O Jornal’ e a ‘Folha de Batataes’, publicaram uma edição conjunta, e comemorativa, com 12 páginas. Havia na primeira página o artigo ‘Um século…’, de autoria de D. Alberto, bispo diocesano, uma vista da parte do Castelo e uma carta aos diretores dos dois jornais enviada pelo ex-presidente da República Washington Luís, de Lisboa. No dia 23 de março os dois jornais voltaram a publicar uma edição conjunta, com 14 páginas, na qual comentam os festejos do centenário.

‘CURIOSIDADES’

O papel jornal era importado, e ‘O Jornal’ tinha livro de registro para controle alfandegário durante a 2ª Guerra Mundial.

‘LINOTIPIA’

Desde sua fundação até março de 1984, ‘O Jornal’ era composto com tipos de chumbo, letra por letra. A partir desta data, passou a ser linotipado, linha por linha. Em 7 de julho de 1984 o primeiro exemplar é inteiramente composto em linotipo.

História

‘OFF-SET’

Primeiros jornais rodados em sistema off-set, datam de maio de 1992. De 12 de junho de 1993 (nº 2633) até hoje, ‘O Jornal’ vem sendo composto eletronicamente e impressos totalmente em Off-Set, através de métodos computadorizados, com extração de matrizes em CTP.

‘A ERA DA COR’

1ª Foto colorida: 19/06/1993

1ª página em cores: 29/10/1994

‘Novo designer’

O nome totalmente colorido, com o título ‘O Jornal de Batatais’ -A Melhor Informação- apareceu em 21 de janeiro de 1995.

‘TERCEIRIZAÇÃO’

Com as mudanças econômicas na era da globalização, ‘O Jornal’ desfaz-se em 01/10/2002 de sua gráfica, terceirizando o sistema de impressão para que todos os esforços sejam centrados na confecção do produto principal. O sucessor do parque gráfico passa a ser, desde então, a M&C2 Gráfica & Editora. Tempos depois a impressão do OJ passa a ser pela Nova Gráfica.

‘AERADIGITAL’

O circulo do sistema de digitalização se completa. Começa então uma nova era ao alcance de milésimos de segundos. Desde a busca de informações, composição de textos, diagramação, fotografias, transmissão de dados e extração de matrizes passam a ser operados pelo sistema digital.

‘NOVA CHEFIA’

Em busca de novos horizontes, depois de mais de 20 anos no exímio comando geral de ‘O Jornal’, o então diretor-proprietário Orion Francisco Marques Riul, que, sem sombra de dúvida, elevou o nome de ‘O Jornal’ com muito tino jornalístico, competência e lealdade, assume cargo de alto escalão na capital paulista, e entrega a chefia total e irrestrita de ‘O Jornal’ para a sucessora e também sócia-proprietária Teresa Cristina Alliprandini Riul, que a partir de 2005, até os dias de hoje, junto com uma equipe de muita eficiência, mas enxutíssima de funcionários e mais uma lista de renomados colaboradores fez crescer o número de páginas da média de 22 semanais para a média de 32 páginas, ou seja, um avanço de 50% de informação.

Aumentou também o número de assinantes e de venda avulsa de exemplares em bancas. Ampliou os espaços de entretenimento promovendo sorteios, questionários e enquetes diretamente com o povo. Duplicou as páginas sociais registrando caras e bocas na revelação de datas especiais. Fez crescer os classificados e as publicidades, além de campanhas sociais, solidárias e de alerta e prevenção. Entrevistou tanto pessoas de destaque da sociedade, como figuras humildes e batalhadoras da comunidade, dando voz aos bairros. No ‘Mundo Dinâmico’ foi longe e divulgou fotos e fatos pitorescos de todos os lugares do planeta. Fez grandes entrevistas com os maiores nomes da política local e nacional, inclusive com o presidente da República. Entre críticas e elogios fez valer o direito e o dever de cada cidadão, ao denunciar erros ou ao divulgar acertos. Convocou representantes e adeptos para debates políticos quentíssimos convidando igual e imparcialmente ‘situação e oposição’ a emitir opiniões e manifestações fundamentais para a isenção legal de uma boa informação, colaborando assim para a maior formação das pessoas e para o fiel desenvolvimento da nossa cidade.

Tudo sempre no firme propósito e no mais legal compromisso de passar a melhor informação, inteira, correta, responsável, justa, séria, imparcial e isenta, mas deixando sempre que o leitor faça suas observações e tire suas próprias conclusões.

Ampliou também ainda mais a informação que, além de impressa, passou a também a ser virtual no face O Jornal de Batatais e no site www.ojornaldebatatais.com.br, na íntegra da edição, à disposição, gratuitamente, para os assinantes. Enfim, se este é o começo ou não, da história do ‘O Jornal de Batatais’, os meios justificam onde estamos chegando…