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Entrevista I – Castelo Campeoníssima

VINTE títulos, 19 no Desfile de Batatais e um Regional, em 1986, com o Enredo ‘Seja Preto, ou seja branco, todos nós somos do santo’… Precisa dizer mais para apresentar a campeoníssa CASTELO?
Nessa quarta-feira, 7, recebemos em nossa redação o atual Presidente da agremiação, JANDERSON ‘Jajá’ CESAR RIBEIRO, 36 anos, ourives, casado com Sirlene Blanc, e pai do Pedro Augusto, Hayanne e Laura Blanc (madrinha de Bateria da Unidos do Morro… Preciso explicar as reticências?). Na Castelo desde 2007, Jajá assumiu a Presidência da Escola em 2018. E quando brincamos nas ‘reticências’, foi totalmente justificado, pois ele mora no Altino Arantes, sede da Unidos do Morro, e sua sogra, Marilene Blanc, é a Presidente da Unidos, Escola onde seu falecido sogro, Celso Blanc, dedicou seu talento e criatividade, praticamente falecendo em cima de um carro alegórico, em pleno desfile oficial. Citamos o fato para que todos percebam o quanto de amor existe nas pessoas que constroem as Escolas de Samba, um amor que não tem barreiras, um amor em que dentro da mesma família convivem harmoniosamente componentes de agremiações adversárias. Junto com Janderson estiveram aqui o ex-Presidente e atual Vice, GABRIEL BONVINI, e o sempre Presidente, compositor de inesquecíveis Sambas Enredo, um verdadeiro ‘faz tudo’ na Escola, sempre se renovando com toda sua criatividade, RÔMULO BRUNO TREVISANI. Falando em ‘se renovando’, a Castelo pode ser citada como sinônimo de RENOVAÇÃO: Janderson e Gabriel, ambos campeões, são prova disso, além do grupo de trabalho que acrescenta peças novas ha cada ano. O bate papo descontraído abordou não apenas a Castelo, mas o Carnaval de Batatais como um todo, principalmente o ‘novo formato’ que a UESB implantou esse ano. Confira tudo isso e muito mais a seguir…

OJ – Jajá, passo a passo, conta pros nossos leitores como surgiu esse Enredo campeão e como foi o dia a dia, do começo ao grito de campeã…
JANDERSON CESAR – Olha, primeiramente quero agradecer a nossa maravilhosa equipe, a Castelo não é uma pessoa, não é o Presidente, o Vice, os Diretores, a Castelo é uma equipe aguerrida, esse aguerrimento, o brilho e a criatividade que se renova sempre, é nossa marca registrada. Desde que o Carnaval estava ‘morno’ a gente queria fazer, então definimos o Enredo e trabalhamos em cima, eu, ele e a Ângela nos empenhamos muito nesse sentido.

OJ – A Castelo dispensa apresentações, mas o Carnaval como um todo mudou, não se tem mais aquela imensa quantidade de pessoas querendo participar das agremiações, você sente certo desinteresse por parte principalmente dos jovens em relação ao Carnaval?
JC – Eu tenho uma visão diferente da sua, provavelmente por estar convivendo com a rapaziada diariamente… Vimos esse ano muita gente nova engajada em cargos importantes fazendo a diferença…

OJ – Mas antes as Escolas colocavam 700 componentes na ‘Avenida’, hoje não consegue colocar 300…
JC – Você precisa entender que o problema maior sempre foi envolver a política com o Carnaval. A parte política é que comandava a festa, e foi isso que estragou a festa! Foram criados certos vícios o que torna difícil cortar esses vínculos agora.

OJ – O samba está perdendo espaço pro Rap e pro Funk, e isso estaria fazendo com que o interesse dos jovens fosse menor?
JC – Continuo discordando de você, moro na periferia e cantamos samba costumeiramente. Vivemos isso o ano inteiro, o ‘povo do samba´ é muito mais discriminado devido aos modismos, o sertanejo universitário, por exemplo, que hoje é o que mais toca nas emissoras de rádio, nos programas de televisão… Nos anos 1990 o samba imperava… São ciclos que vão se misturando e se renovando. Mas o samba tem uma trajetória tão grande e tão forte que jamais irá acabar.

OJ – Na minha época, em Outubro as emissoras passavam a tocar as marchinhas, o povo aprendia a letra, tinha o Carnaval de Salão, os Sambas Enredo, ou seja, criava-se um clima pró-Carnaval… hoje quando falamos em marchinha lembramos da Jardineira, Mamãe eu quero, coisa de 40 anos atrás… Tudo isso não acaba influenciando no interesse das pessoas?
JC – O desinteresse da mídia é uma questão financeira, talvez o potencial financeiro aplicado, de ambas as partes, não traga tanto retorno (financeiro) pra mídia, mas culturalmente é diferente…

OJ – Lembro que a Cinthia, minha filha, tinha paixão por sair numa Escola de Samba, era o objetivo de toda jovem e todo jovem sair numa Escola de Samba, hoje eles querem internet, redes sociais, viajar… Como mudar isso, Jajá?
JC – Engraçado, no nosso caso os ‘mirins’ pensam o contrário, o sonho deles é sair na Castelo. Não entendo, o pessoal que está de fora vê de maneira diferente, o que sentimos com nosso casal mirim foi uma coisa maravilhosa…

OJ – Mas veja bem, faltaram 40 componentes num Bloco, 30 no outro… Anos atrás sobravam componentes…
JC – Não posso responder pelo Bloco…

OJ – Há 15 anos, até menos, era impensável que faltasse componentes tanto nas Escolas quanto nos Blocos, hoje pra completar o número tem Escola que busca componentes até em outras Cidades…
JC – A verdade é que em Batatais o povo joga contra, é mais fácil jogar contra do que a favor. Tudo que se faz aqui todo mundo vai contra, a verdade é essa. Não estou falando apenas de Carnaval, em tudo é assim. O Batatais, a Festa de San Gennaro, o Natal Encantado…
GABRIEL BONVINI – Acho que Batatais não merece a Cidade que tem.
JC – Enquanto isso a Região olha pro nosso Carnaval como se desejasse que fosse feito lá…

OJ – É verdade, muitas Cidades gostariam de ter um Carnaval como o nosso. As pessoas aqui até querem, mas não colaboram. Sabe quantos sócios o Batatais Futebol Clube conseguiu até agora? 140. Numa Cidade de 60 mil habitantes, apenas 140 são sócios do Batatais, mas querem que o time tenha bons resultados…
JC – É mais fácil ficar nas redes sociais, criticando, do que perguntar o que está acontecendo, como se pode ajudar…
Você é meu amigo nas redes sociais e sabe que sou um pouco ‘grosso’ nessa parte, a pessoa reclama e eu convido pra visitar nosso barracão, vai lá que mostro tudo que está sendo feito, o trabalho de todos… Pergunta se alguém foi???
GB – Tem coragem de criticar, mas não tem disposição para colaborar…

OJ – Costumo dizer que o Morro é a única comunidade em torno de uma Escola de Samba, a Castelo nunca foi Escola de uma comunidade, ela é ampla, tem gente da Cidade toda na Castelo, vocês três aqui não moram no Bairro e dirigem, com brilhantismo a agremiação… Nesse sentido, duas perguntas: Como fazer o Castelo, Bairro, se aproximar mais da Castelo, Escola? E como fazer com que os garotos voltem a gostar de participar dos Desfiles?
JC – O que podemos fazer é mostrar que temos algo mais a oferecer, mais que Carnaval, uma Escola de Samba não pode ser só Carnaval, temos que ir além disso… Vou muito a São Paulo, frequento umas quadras lá onde tenho parentes, como na Vila Maria… Lá não é só Carnaval, eles desenvolvem um trabalho social o ano inteiro, no qual se enquadra todo mundo, e isso atrai as pessoas para a Escola, as famílias, as crianças, é isso que cria o interesse de todos em torno da Escola. O Carnaval só será maior e melhor quando todas as Escolas de Samba entenderem isso. Em Batatais os Centros Comunitários e as Escolas de Samba deveriam andar de mãos dadas, mas sei que isso nem sempre acontece…
RÔMULO TREVISANI – Foi assim no passado.
JC – As costureiras trabalhavam, todas gratuitamente, confeccionando as fantasias, dentro do Centro Comunitário…
RT – O lado social, que foi aquilo que a Marilda (Covas) agregou, computador, ginástica, bordados, escolinha de futebol, basquete, tudo isso é fundamental, mas também é fundamental que exista uma parceria total entre Escola de Samba e Centro Comunitário… O CC tem como obrigação fazer a Páscoa, a Festa Junina, o Natal, a Desta do Dia dos Pais, das Mães, todos esses eventos atraem as pessoas, e isso faz com que haja um elo e essa interação que o Jajá falou, com o CC, e isso pela lógica atrairia essas mesmas pessoas para a Escola de Samba. Se está difícil esse entrosamento entre Escola de Samba e Centro Comunitário, por ‘n’ motivos, conservação do prédio, conservação do patrimônio, que eu compreendo que é difícil, pois vivi num tempo em que o Centro Comunitário (Castelo) não era essa maravilha que é hoje, um exemplo pra Cidade, era meio bagunçado, e me desculpem a memória dos meus amigos, irmãos, ‘seu’ Romeu, Décio, Elmo, hoje com o advento dessa organização, da aproximação não se dá de lá pra cá, que aconteça da Escola pro Centro Comunitário. Queira ou não queira a Escola é o primo rico, a menina dos olhos do Centro Comunitário do Castelo…

OJ – Hoje a Escola de Samba ela superou o Centro Comunitário, ela é a cereja do bolo. O Centro Comunitário do Castelo é conhecido por abrigar a Escola de Samba do Castelo, a verdade é essa, uma coisa está intimamente ligada à outra.
RT – Eu diria até mais, diria que o Carnaval de Batatais é conhecido por todas as comunidades, mas o Castelo pelos 49 anos de vida e esses 20 títulos, atingiu em cheio a Região, inclusive São Paulo, e o Jajá tem contato muito mais que eu lá.

OJ – Falando especificamente da Castelo, a credibilidade dos Diretores, sem menção de nomes, possibilitou à Escola essa abrangência geral na Cidade, ou seja, atrair componentes de todos os Bairros pra Castelo?
RT – Ratificando o que você está dizendo, se houver um trabalho na Castelo, comandado pelo meu Presidente que provou sua competência, assim como o Gabriel, que foi campeão durante seu mandato, se esse trabalho tiver continuidade, e terá, tenho certeza, a Castelo conseguirá levantar fundos pra fazer um Carnaval excepcional em 2019, 2020… Não há um empresário em Batatais que negue de R$ 1,00 a R$ 1 mil, pois sabe da responsabilidade da Diretoria. Não estou me referindo a outras agremiações, acredito que nelas aconteça o mesmo…

OJ – Vocês criaram a ‘Empresa Amiga da Castelo’…
RT – Existe isso, não foi feito esse ano, mas foi criado na Castelo, foi levantado um patrimônio, já chegamos a levantar mais do que a quantia que a Prefeitura repassou, nos ‘40 anos de Rubi’, gastamos R$ 70 mil da Prefeitura e outros R$ 90 mil que nós arrecadamos. Acabei de entregar pro Jajá a arrecadação próxima de R$ 7 mil, foi arrecadado em uma semana, e resolveu muita coisa. Essa volta do Carnaval é fundamental para responder um monte de perguntas que você fez ano nosso Presidente, incluindo a falta de gente pra desfilar, o desinteresse dos jovens, cadê as famílias, cadê os empresários ajudando? Cadê o interesse do Centro Comunitário em celebrar de fato essa parceria?
Tem Carnaval que termina um ano e não se sabe se terá no outro… Ora, essa insegurança passa pra todos, componentes, foliões, empresários, pra Cidade inteira. Como você vai começar um trabalho visando o Desfile do ano que vem se não se sabia se haveria ou não Desfile no ano que vem? Aí as pessoas marcavam viagens, hoje é fácil viajar, e perdia-se o costume de ir ao Carnaval. Se houver, por parte do poder público, o respeito a um cara como esse que tá na minha frente, o Janderson Jajá, ao Gabriel Bonvini, que está aqui conosco, e aos Diretores de todas as agremiações, gente que faz acontecer, gente que tem responsabilidade, gente que vai pegar dez ‘contos’ de uma grande empresa de Batatais e vai aplicar no Carnaval. Se esse respeito se consolidar te garanto que a tendência do nosso Carnaval é voltar a ser como foi anos atrás. O Carnaval desse ano tem muito mérito, estrutura, mudança de dia, tem muito mérito… Desfilou de madrugada, se isso for levado adiante os empresários vão acreditar mais.

OJ – Você, Jajá, está perto de duas pessoas cujas famílias fazem parte da Castelo, os Bonvini e os Trevisani, seus avós, pais, tios, eles se confundem com a história da Castelo. A pergunta é se esta tradição está sendo renovada? Vocês estão conseguindo formar grupos como os Bonvini, os Trevisani, Baldochi e outros mais?
JC – Estamos trabalhando muito pra isso, costumo dizer que ninguém faz nada sozinho, precisamos desse pessoal mais novo que está chegando e precisamos do respaldo dos mais antigos, que estão na Escola há mais tempo… Eles já trilharam o caminho das pedras, queremos que expliquem pra gente não tropeçar. Sou o mais novo lá, o Gabriel começou em 2005, cheguei depois, a gente é muito jovem lá, mas queremos mostrar que temos potencial pra fazer e podemos fazer. Queremos o respaldo e o respeito das pessoas, da comunidade, do empresariado, queremos um voto de confiança.

OJ – Tivemos uma sequência de Carnavais… aí nos dois últimos anos o Carnaval não aconteceu, e quebrou a sequência, não teve… o cara foi pra Rifaina, pra São Paulo, pro Rio de Janeiro, por exemplo, gostou e se acostumou a ir pra lá outras vezes… Criou o costume de ir pra lá e perdeu o costume de ficar aqui no Carnaval… Agora o Hamsés (Presidente da UESB) ‘criou’ esse novo modelo, o fundamental foi ter feito o Carnaval… Não aprovo esse novo formato na íntegra, entendo que deveriam ser dois dias de Desfile e mais o Desfile das Campeãs, seria mais atraente, inclusive financeiramente. Mas, repito, acima de tudo o fundamental foi a volta do nosso Carnaval.
GB – Acredito que o povo não estava acreditando na volta do Carnaval, daí a quantidade menor de camarotes vendidos, de pessoas que compraram ingressos…

OJ – Toda mudança provoca reações e demora pra ser assimilada…
GB – Era quase meia noite e tinha fila do lado de fora com gente comprando ingresso, gente que não acreditou que o Carnaval ia começar no horário… O pessoal do Bloco chegou fantasiado e não desfilou porque o Desfile já tinha acontecido. Os próprios componentes chegaram atrasados porque estavam acostumados com os atrasos dos anos anteriores…

OJ – Minha discordância diz respeito a um único dia de Desfile, acho que poderia ser dois dias, acabar mais cedo, porque a mãe que carrega pequeno colo e vai assistir acaba saindo antes, pois a crianças não resistem, dormem, então se terminar mais cedo seria mais fácil pras famílias, não pros que vão nos camarotes, mas os que vão na arquibancada, família toda filhos pequenos… Pensar só no sambista é bom, mas é preciso pensar também no público que vai assistir, não adianta uma organização perfeita com camarotes e arquibancadas vazias… Mas, Jajá, o que fazer para que em 2019 desacertos na organização, se é que aconteceram, sejam resolvidos, e na Castelo, o seu trabalho seja menos espinhoso?
JC – Começar antes…
GB – Conversei com o Jajá sobre isso, não sentamos pra colocar em prática, mas a ideia nossa é dar um prazo de 15, 20 dias, em seguida reunir o grupo e começar a planejar o Carnaval de 2019. Se você não planejar você não empolga ninguém, você não trás ninguém. Estou falando em termos de Escola de Samba, da Castelo, como é o nosso caso, e o mesmo vale pras outras agremiações e pra UESB. Fazer um planejamento agora, na sua comunidade, e mostrar pro sambista que o Carnaval não é só em Janeiro, o Carnaval é o ano inteiro. Como fazer isso? Realizando eventos, uma ação entre amigos, venda de pizza, feijoada, um dia de samba com a Bateria, um grupo de samba para alegrar um evento…

OJ – Por que ao invés de promoções ‘pequenas’, que exigem esforço, mas rendem pouco, as Escolas não se unem e trazem um mega show, coisa pra faturar R$ 40 mil cada uma?
RT – No Rio não tem isso, em São Paulo não tem isso, quem pode mais chora menos. A Liga Paulistana e a Liga Carioca não fazem festividades com todo mundo junto, não que não possamos fazer, mas se podemos seguir o exemplo de lá e fortalecer as comunidades… Podemos fazer um evento…
Vou te falar com a experiência de duas décadas, quando se junta as Escolas pra fazer um evento único, não funciona. Cada um lutando por si mantem as rivalidades acesas, que é o que mantem o Carnaval. Quando você, seguindo as palavras do Gabriel, a partir de Abril, não vou dizer Março, e com o planejamento maravilhoso que ninguém em Batatais tem, mas a Castelo tem, começara colocar em prática em Abril tudo que já está planejado, os eventos, todo procedimento pra chegar até Fevereiro (2019), e isso passa pela escolha do Enredo, as promoções, as festividades, os cursos, o raio que o parta, naturalmente se vai ‘por fogo’ na comunidade… Se a partir de Março, tendo o Enredo, se começar a programar, por exemplo, fazendo as camisetas promocionais, se terá muita gente comprando e usando, ou seja, divulgando, que é o mais importante… Vamos procurar a imprensa, nossa mídia sempre colaborou, abriu espaços, não apenas pra Castelo, mas pro Carnaval como um todo, e isso ratifica o que a Castelo sempre fez: “Ah, vou colaborar com vocês porque sei que esse dinheiro será usado na Escola”, e isso ‘contamina’ a comunidade.
JC – Julio, sempre acompanho você e você sabe disso, esse seu posicionamento sobre unir as Escolas e realizar um grande evento, um mega show, até já conversamos sobre isso, aí você vai trazer um show de R$ 80 mil, você tem que ter R$ 40 mil na assinatura do contrato, é assim que funciona, quem tem esse valor? E os riscos, e olha, R$ 80 mil é o cachê, o som é mais R$ 13 mil, aluguel do recinto, se for no Clube de Campo é R$ 6 mil, mais hospedagem, alimentação… Um show de R$ 80 mil acaba saindo no total por R$ 100 mil, R$ 120 mil…

OJ – Mas imagine cinco mil pessoas, os envolvidos diretamente com o Carnaval, cada um vendendo 20 ingressos de R$ 30,00, o resultado daria pra cobrir o investimento e sobrar uma grana boa pra cada Escola, cada Bloco… Mas tem que contratar gente que sabe realizar eventos, profissionais, pessoas como as que organizaram a ‘Festa do Leite’ esse ano… Mas vamos falar sobre o novo modelo do Carnaval, implantado esse ano… O Hamsés foi corajoso, eu continuo achando que deveria ser duas noites de Desfiles mais o das Campeãs… Se vocês tivessem que pesar os pros e os contras, pra onde penderia a balança?
JC – Acho que foi o mais positivo possível… Tô questionando muito sobre o horário, adorei, porque muita gente falou que não ia dar certo, e eu afirmando que ia, as pessoas não sabem, mas estamos há seis meses discutindo sobre o Carnaval, não é de agora, não faz duas semanas. Ao cumprir os horários estabelecidos todas as Escolas ganharam credibilidade, não teve atraso, foi perfeito nesse sentido. Quanto a fazer os Desfiles em dois dias eu até concordo, poderíamos começar por volta de 21h30, seria até razoável…

OJ – Você teria um produto maior, a venda de camarotes seria maior, a pessoa ia comprar dois Desfiles ao invés de um, e o grande público acontece nos dias de Desfile, isso representa maior venda na praça de alimentação, mais carros no estacionamento…
JC – Concordo, é preciso entender que esse ano foi uma experiência, teste, coisas deram certo, outras não deram, agora é aprimorar o modelo para 2019.

OJ – As mudanças levam anos pra se consolidar…
JC – E aqui mais ainda…
GB – Ninguém quer criticar o que foi feito, só do Carnaval ter voltado foi excelente, agora vamos conversar, fazer sugestões, tentar melhorar aqui, aprimorar ali… A UESB tem primado pelo diálogo, isso é importante, sou o primeiro a dizer que a UESB está de parabéns!!!

OJ – A colocação de dois Caminhões de som…
GB – Sempre dissemos que era possível, e foi uma maravilha, diminuiu o tempo entre o Desfile de uma Escola e de outra.
JC – Eu não ia falar nada, mas não dá pra segurar, a verdade é que era uma porcaria, e estava nas mãos de gente incompetente, que não conhece nada de Desfile Carnavalesco. Ficaram 12 anos lá e não fizeram porcaria nenhuma! Quando eu estava no Caminhão de som eu questionava essas coisas, “por que não colocar dois Caminhões” a resposta era que não tinha jeito, nunca tinha jeito, agora ficou provado que tem jeito sim, é só deixar que as pessoas que entendem realmente do assunto comandem as coisas.

OJ – Você tem alguma sugestão, não pra Castelo, mas pro Carnaval de 2019 como um todo?
JC – Acho que Desfile em dois dias é uma boa sugestão, é viável, seria legal focar nisso. Acho que antecipar a data foi bom, e deve ser repetido.

OJ – Esqueça o Jajá Presidente da Castelo, o Jajá carnavalesco, você realmente acha que o povo gostou da antecipação?
JC – Você questionou isso no seu programa na TV Educadora, lembro disso, mas posso te dizer que teve ‘clima’, a arquibancada estava no clima…

OJ – Concordo, mas podia ter muito mais gente na arquibancada…
JC – Mas foi o primeiro ano, quem sabe se no ano que vem não será melhor?
RT – Várias Cidades anteciparam o Carnaval e deu certo…

OJ – Não estranhem, entendo tudo isso, mas como entrevistador tenho que ser o ‘advogado do diabo’, tenho que perguntar aqui aquilo que ouvi nas ruas…
JC – A Cidade de Santos, que tem um grande Carnaval, também realiza a festa antecipadamente… Em minha opinião, por ter sido o primeiro ano nesse novo modelo, foi maravilhoso.
GB – Acho que só tem a crescer, veja por exemplo a pessoa que quer viajar no Carnaval, o feriado acumulado facilita, hoje é fácil ir pra Rifaina, Miguelópolis, Rio de Janeiro, São Paulo, então a pessoa vai viajar no Carnaval, beleza, aí você faz o Carnaval aqui uma semana antes, a pessoa ainda está se preparando pra viajar, estando aqui o fim de semana sem fazer nada e gostando de Carnaval, certamente ela irá participar.

OJ – Até tempos atrás havia uma ‘briga’ das Escolas de Samba e o Carnaval de Salão. Agora um novo oponente se coloca, os Blocos de Rua, no caso de Batatais, o ‘Só + 1’, como conciliar essas coisas, Jajá?
JC – Eles (os Blocos de Rua) têm que entender que existe espaço pra todos, estamos aqui pra somar, temos que fazer um Carnaval pra somar, não pra dividir… “Ah, porque o bloco atrapalha”… Não, gente, quem vai no bloco pode muito bem desfilar em alguma Escola, e muitos dos que desfilam nas Escolas vão às ruas com o ‘Só + 1’…
RT – É preciso respeito de ambas as partes, a Escola respeita o Bloco e o Bloco respeita a Escola. Um não interferindo no outro… Por exemplo, não marcar Desfiles nos mesmos horários…
– Renovação, Rômulo, essa é a palavra chave da Castelo?
RT – Só com mentalidade nova, gente nova como são esses dois (Jajá e Gabriel) pra cortar antigos vícios, corrigir erros que se repetiam e começar do zero… E não se deixar levar pelo passado, por mais glorioso que tenha sido, mas a vida caminha em frente…

OJ – Antigamente todos desfilavam e trabalhavam de graça, e agora?
RT – Veja bem, uma das coisas que atrapalhou o Elmo (ex-Presidente da Castelo, falecido), foram os cachês, fui Vice-Presidente dele durante sete anos, ele me ligava, eu ia lá, mas já sabia que boa coisa não era… Eu chegava lá e ele mostrava a relação de gente que ganhava pra trabalhar no Carnaval, bastante gente remunerada… Hoje esses meninos estão com outra mentalidade, porque o Presidente já falou pra mim, três dias atrás, que vai sobrar uns trocados… A partir dessa vitória vocês (população) vão ver o que é a Castelo! E voltando a realização de um grande evento, acho importante, mas veja o tamanho da nossa Cidade, a nossa realidade, entendo perfeitamente quando ele falou que não tem gente pra bancar um grande show… O maior legado que a Castelo pode deixar é a gestão desse menino (Jajá), apoiado por esse outro menino (Gabriel), mas o grande legado que a Castelo deve deixar, apesar de não ter feito esse ano, mas eu quero ajudar o Presidente naquilo que eu puder, é o calendário de pequenos eventos, a mensagem é agregar as pessoas, pode até não dar grande resultado financeiro, mas a união entre os componentes que esses pequenos eventos proporciona não tem preço! Você cria e une uma comunidade com todos participando, e isso eu digo em relação a todas as Escolas e Blocos…
JC – Tá vendo que não é só o dinheiro? Escola de Samba e grupo unido, comunidade presente…

OJ – Falando em dinheiro, os R$ 100 mil da Prefeitura foram suficientes pro Carnaval campeão da Castelo?
JC – Nosso Carnaval foi feito com R$ 100 mil, nada além.

OJ – No caso da Castelo, que construiu um patrimônio carnavalesco ao longo dos anos, que é reestudado, adaptado, até aceito que R$ 100 mil foi suficiente, e no caso de uma Escola que ainda não tem esse patrimônio carnavalesco?
JC – Esse patrimônio carnavalesco é fruto de um trabalho que vem sendo feito há muitos anos, acredito que as outras Escolas vão chegar lá.

OJ – É preciso lembrar que durante alguns anos a Castelo foi a última colocada no Desfile, não tô aqui pra jogar confete, mas a Castelo iniciou um novo ciclo, um ciclo de vitórias quando o Rômulo saiu da Estela e veio pra Castelo, lógico que outras pessoas foram importantes, mas a vinda dele foi um divisor de águas… O que esperar da Castelo em 2019?
JC – Uma grande Escola, e muito trabalho… Nosso grupo continuará à frente da Escola, mas esse ‘à frente’ é simbólico, nós apenas assumimos as responsabilidades, mas a Escola só existe graças a dezenas e dezenas de pessoas que trabalham, se dedicam, trocam ideias…

OJ – Poderíamos ter falado o tempo todo da Castelo, e teríamos assunto pra isso, mas é hora de agradecer a todos e especialmente algumas pessoas, além de você três aqui presentes…
RT – Olha, não dá pra citar todos os nomes, mas não posso deixar de agradecer até quando foi fundamental o retorno do Marcos Teixeira, como figurinista; a aceitação abnegada da Leninha, quando a Diretoria foi lá pedir para que ela voltasse lá pra dentro do quartinho, com todas as dificuldades de saúde dela, mas com todo amor incomensurável que ela tem pela Castelo, e toda memória do Elmo… Temos que citar o Émerson Caetano, que abraçou a causa, à maneira e dentro de suas disponibilidades; o Carlos Furini que foi um leão, que foi determinante na questão do acabamento, da decoração e criatividade dos carros alegóricos que o Gabriel, tão magistralmente comandou… Quando cheguei ao barracão, 20 dias antes do Carnaval estava tudo pronto, a estrutura que é complicada, quatro carretas de 12 metros cada uma! Durante 30 anos fiz carro na Castelo de 4×4, agora eles tem 4×12 (metros), triplicaram, e o Gabriel comandou tudo isso, então surge um menino com potencial imenso, uma paixão imensa, ele e o Jajá têm suas famílias, suas obrigações, mas a dedicação deles ao Castelo é uma coisa que nos deixa sem palavras para definir. A Geralda Ribeiro, a minha esposa Maria Teresa, a Débora que foi pra lá, a Marilda Covas, sempre presente… É difícil citar nomes, é muita gente que participou.
GB – Têm umas pessoas que tenho que agradecer, apesar de ser da minha família: meu pai e meu avô, José Henrique Bonvini e José Domingos Bonvini, o ‘Zito’… Entraram dia 15 de Novembro no barracão e só sairão de lá depois de tudo desmontado e guardado…