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Unesp amplia atendimento à fauna silvestre paulista com novas estruturas nos campi de Botucatu e Araçatuba
A Unesp vai ampliar a sua capacidade de atendimento e reabilitação de animais selvagens dos municípios próximos aos campi de Botucatu e Araçatuba. Os centros de atendimento vinculados aos cursos de Medicina Veterinária das duas unidades universitárias estão passando por reformas para ampliação e adequação dos espaços, e passarão a integrar oficialmente a rede estadual de Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras). A medida também vai beneficiar a formação dos estudantes, que continuarão realizando atividades de ensino e projetos de pesquisa nos centros.
Em Botucatu, está sendo reformado o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas), enquanto em Araçatuba, as obras estão sendo realizadas no Centro de Recuperação e Triagem de Animais Silvestres (Ceretas).
A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Unesp e a Secretaria do Meio-Ambiente, Logística e Infraestrutura (Semil), que tem como objetivo ampliar a rede que realiza o atendimento à fauna silvestre no estado. Atualmente, essa rede é formada por trinta Cetras, que atuam no acolhimento, tratamento e reabilitação de animais silvestres vítimas de tráfico, maus-tratos, acidentes ou entrega voluntária. Por serem vinculados à Universidade e serem espaços de formação de profissionais, os centros localizados nos câmpus de Botucatu e Araçatuba serão denominados Cetras-escola.
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Para a diretora de Biodiversidade e Biotecnologia da Semil, Patrícia Locosque Ramos, a parceria representa um avanço qualitativo na política pública. “O estabelecimento dos Cetras-escola fortalece a rede não apenas do ponto de vista assistencial, mas também técnico e científico. Ao integrar ensino, pesquisa e atendimento, ampliamos a capacidade de inovação e qualificamos ainda mais o cuidado com a fauna silvestre no estado”, afirma.
Para viabilizar a instalação dos dois Cetras-escola, a Semil está investindo R$ 27,4 milhões ao longo dos próximos 60 meses, período de vigência do convênio, que poderá ser prorrogado. Além da adequação e reforma do espaço, o recurso será aplicado em despesas operacionais e custeio de materiais, como a aquisição de medicamentos, alimentação e marcação animal, e também na contratação de biólogos, veterinários, tratadores de animais e auxiliares administrativos, a depender da demanda de cada unidade.
A Unesp, por sua vez, se compromete a arcar com as despesas de consumo, serviços de segurança e portaria, manutenção predial, bolsas de residentes médicos veterinários, atividades de docência e o funcionamento dos demais departamentos especializados que já apoiam as atividades dos centros, como anestesiologia, parasitologia e patologia.
Expertise de mais de duas décadas
A área de estudo de animais de vida livre sempre esteve presente no currículo dos cursos de medicina veterinária da Unesp, ainda que com diferentes abordagens, a depender do câmpus em que estão localizados. Em Araçatuba, o professor Sérgio Diniz Garcia foi um dos responsáveis pela criação, há cerca de vinte anos, de um serviço de atendimento de animais selvagens e de uma disciplina para os alunos de graduação. Em virtude da alta demanda, a iniciativa ganhou corpo e deu origem ao Ceretas, hospital que recebe, realiza triagem, trata e identifica as espécies de animais silvestres resgatadas ou apreendidas pelos órgãos fiscalizadores.
Em Botucatu, o professor Carlos Roberto Teixeira foi um dos idealizadores do Cempas, no início dos anos 2000. Desde 2024, o centro possui um convênio estabelecido com a Semil para receber e reabilitar espécies de vida livre. A unidade conta ainda com um programa de pós-graduação único no Brasil voltado específicamente para o estudo desses animais. No final de 2025, o Cempas foi contemplado em um programa da Fapesp para o estabelecimento de Centros de Ciência para o Desenvolvimento especializado em animais selvagens.
O câmpus de Jaboticabal, embora não integre o atual convênio estabelecido com a Semil, possui um Serviço de Patologia de Animais Selvagens (Sepas) desde 1994, sob a liderança da professora Karin Werther, além do Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos (Nupecce), projeto liderado pelo professor José Maurício Barbanti Duarte.
Impacto positivo na atividade acadêmica
Responsável pela coordenação do convênio no câmpus de Araçatuba, o professor Sérgio Garcia explica que após as reformas, a área dedicada aos animais selvagens estará totalmente adequada às legislações vigentes e deve alcançar mais de dois mil metros quadrados, o dobro da atual. “Em Araçatuba nós já temos um hospital veterinário dedicado a animais domésticos e outro voltado para grandes animais, como bois e cavalos. Agora teremos um espaço maior e mais equipado específico para animais silvestres”, afirma o docente, que estima o volume de atendimento em dois mil animais por ano. Segundo a Semil, o investimento em obras no câmpus será de aproximadamente R$ 3,5 milhões. Além disso, R$ 9,4 milhões serão repassados para o custeio das atividades durante a vigência do convênio.
No Cempas, os recursos serão investidos principalmente na adequação dos recintos dos animais, de forma a adequar o espaço para o melhor bem estar das espécies, e uma cozinha para a preparação dos alimentos. “Um dos principais ganhos decorrentes das obras será no bem-estar e na segurança dos animais e dos tratadores. Além disso, existe um ganho acadêmico para os alunos desenvolvem suas atividades no centro. Afinal, quanto melhor a estrutura, melhor as atividades de pesquisa, ensino e extensão”, explica Sheila Canevese Rahal, chefe de serviço do Cempas.
Atualmente, o centro recebe cerca de dois mil animais por ano, e segundo o veterinário responsável Gabriel Corrêa de Camargo, as reformas e contratações devem permitir um aumento no volume de atendimentos. “É difícil estimar quantos animais nós conseguimos receber porque esse fluxo depende muito da ação dos órgãos de resgate, que costumam trazer as espécies para o Cempas, mas com a nova estrutura concluída, acho que poderemos aumentar em pelo menos 50% o atendimento”, afirma.
Segundo a Semil, estão sendo investidos cerca de R$ 5 milhões em reformas e outros R$ 9,4 milhões estão previstos para operacionalização do centro, a serem distribuídos ao longo dos 60 meses de convênio. A expectativa é que as obras, em Botucatu e Araçatuba, estejam concluídas até o final do ano.
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